quarta-feira, 17 de maio de 2017
UM JUMENTO NOSSO EM MARTE
sexta-feira, 7 de abril de 2017
NASCIMENTO DE JESUS
Juvenal Amaro
Foi enviado à Galiléia
à Nazaré, precisamente,
o bom anjo Gabriel
com ordem do Onipotente
à casa de uma vírgem
que de Davi é descendente.
Esta vírgem era Maria
pobre dos bens deste mundo
porém rica de virtudes
tinha a Deus amor profundo
e enquanto não trabalhava
orava a todo segundo.
Ligada por esponsais
a José - um homem santo -
sendo carpinteiro e pobre
de descendência, no entanto
também do fiel Davi
a quem respeitavam tanto.
Estava ele a orar
recolhida em seu abrigo
entrou um anjo e disse-lhe
o que trazia consigo:
- "Maria cheia de graça
o Senhor esteja contigo."
-"És tu entre as mulheres
bendita, eu te saúdo."
Maria então perturbada
escutando aquilo tudo
não percebia o que estava
acontecendo, contudo.
E o anjo assim disse-lhe:
-"Não temas, Maria, porque
achaste graça diante
de Deus. E eis que há de ter
um filho do qual o nome
Jesus Cristo há de ser.
-"Então, filho do altíssimo
chamado ele será
e o trono de Davi
o Senhor Deus lhe dará.
Será o salvador do Mundo
e fim seu reino não terá."
-"E como isso é possível
(a senhora ponderou)
se prometi a Deus ficar
sempre virgem como estou?"
O anjo rapidamente
respondendo explicou.
-"Virgem, o Espírito Santo
sobre ti breve virá
e a virtude do Altíssimo
com a sombra te cobrirá
e por isso, filho de Deus
Ele chamado será."
Maria disse: - Eis aqui
a escrava do Senhor,
faça-se em mim segundo
tua palavra de amor."
E sem mais nada dizer
o anjo se ausentou
O que sucedera a Virgem
José ainda não sabia.
Mas um anjo do Senhor
em sonhos disse-lhe um dia:
-"José filho de Davi
guarda contigo Maria."
-"Tu esposa pela ação
do espírito divino
é mão do filho de Deus,
será Jesus o menino
que virá modificar
dos pecadores o destino".
Uma lei meses depois
(do augusto imperador)
a cada um dos habitantes
da Judeia ordenou
desse o nome na cidade
de onde se originou.
Era um recenseamento
e por aquela ocasião
tiveram que ir à Belém
José e Maria, então
matricular o seu nome
entre aquela multidão.
Quando em Belém chegaram
grande multidão havia
que não puderam achar
lugar nas hospedarias
e agasalharam-se num pobre
rancho que lá existia.
E ali a meia noite
Jesus Cristo ao mundo veio
e Maria, a virgem mãe
com o coração cheio
de suavíssima alegria
O abraçou contra o seio.
Envolveu logo em mantilhas
o Santo recém-nascido
e O deitou na manjedoura
dos animais adormecidos.
Assim o profetizado
por Miqueias, foi cumprido.
Naquela noite venturosa
naquela mesma cidade
muitos anjos decantaram:
"Glória a Deus (em claridade)
nas alturas e paz na terra
aos homens de boa vontade".
Umirim-CE, 1981
domingo, 5 de fevereiro de 2017
DE RIACHO DA SELA A UMIRIM
(Texto teatral)
Autor: Juvenal Amaro
PERSONAGENS:
Narrador
Padre
Burro
Viajantes
Coronel
Rapaz
Moça
Moradores
CENÁRIO:
Estrada carroçável ou vereda
Riacho
Sela encalhada ou presa em garranchos
NARRADOR:
Lá pelo século XVIII
Saía da capital
Da província Ceará
Um padre em seu animal.
PADRE:
O bispo designou-me
Para cumprir a missão
De sair catequizando
O povo deste sertão.
NARRADOR:
Depois de várias semanas,
Já estava perto daqui
Quando o céu ficou nublado
Uma chuva ia cair.
PADRE:
Burrinho apressa os passos
Que ali vem um temporal
Se não acharmos um abrigo
Passaremos muito mal.
(O burro relincha concordando)
NARRADOR:
O padre segue um pouco
E com o riacho se depara
Sem saber o que fazer
Bem na sua margem pára.
PADRE:
Ah! Tem um riacho cheio!
Mas temos que atravessar
Porque só do outro lado
Vamos um rancho encontrar.
NARRADOR:
Montado o padre no burro
Foi o rio atravessando
Mas a forte correnteza
Foi depressa os carregando.
PADRE:
Valha-me Senhor Jesus!
Preciso de sua mão
Para me tirar daqui.
Quero cumprir minha missão.
NARRADOR:
O padre chegou à margem,
O burro também saiu.
Mas recuperar a sela
O padre não conseguiu.
PADRE:
A água levou a sela
Mas vamos continuar...
Uma maneira de seguirmos
Sei que Deus vai nos mostrar.
(O burro relincha confirmando)
NARRADOR:
Tempos depois, no riacho
Umas pessoas de passagem
Encontraram encalhada
Uma sela em sua margem.
PESSOAS (Viajantes):
- Vixe! Olha uma sela!
- Uma sela é?! Cadê?
- Ôxente! Pois não é mesmo!
- Diveras! Uma sela, êh!
NARRADOR:
Como Riacho da Sela
Foram ficando conhecidos
O riacho e o povoado
Bem perto dali surgido.
NARRADOR:
O coronel dono das terras
A qual herdou de sesmeiro
Controlava a região
Era um grande fazendeiro.
CORONEL:
Nestas terras você faça
Perto do rio sua choupana
Mas tem que trabalhar pra mim
Cinco dias na semana.
NARRADOR:
Tornou-se vila depois.
Cresceu a população.
Mas continuou ainda
A mesma denominação.
RAPAZ:
Diga onde você mora,
Moça delicada e bela!
MOÇA:
Eu moro aqui na Vila,
Vila Riacho da Sela!
NARRADOR:
Depois os donos da terra
Com bastante orgulho e zelo
Resolveram nomeá-la
Vila de Riachuelo.
CORONEL:
Olha, a partir de hoje
Não esquece, não vacila.
Quero que Riachuelo
Seja o nome da Vila.
NARRADOR:
Mas alguns anos depois
Tornou-se distrito, enfim.
Mudando também o nome
Pra Distrito de Umirim.
MORADORES:
Nosso lugar está ficando
Cada dia mais bonito.
Já não é mais uma vila.
Ele agora é distrito!
NARRADOR:
Na década de sessenta
Do último século passado
foi elevada à cidade.
Mas isso foi revogado.
PERSONAGENS (Todos juntos):
Quarenta anos depois
Se emancipou de verdade.
E Umirim continua
Nossa querida cidade!
Umirim-CE, 03 de setembro de 2016.
domingo, 8 de janeiro de 2017
AS DESVENTURAS DE UM ATOLEIMADO
Juvenal Amaro
Ia eu entrar de férias
E comecei a imaginar
Aonde eu poderia
Alguns dias ir passar
Pois eu não tinha dinheiro
Que desse pra viajar.
Aí lembrei de uma tia
Que morava em Caicó
Da qual eu gostava muito.
Era uma irmã de vovó.
O seu nome era Chicuta
E o do tio era Jacó.
Caicó era um sertão
Aonde eu já havia
Há Alguns anos atrás
Passado bastantes dias
E do qual muito gostei
E senti muita alegria.
Um tanto ingênuo, simples
Eram os seus habitantes
Pensavam que eu tina fama
Era rico ou importante.
Enquanto eu, na verdade
Era um simples estudante.
E quando chegou as férias
Fui par lá sem demora.
Depois que desci do ônibus
Segui caminho afora
E andei quatro quilômetros
Com medo de caipora.
Cheguei à casa cansado.
Pus a sacola ao chão.
Falei: - Bênção, tia Chicuta.
- Deus te abençoe, Bastião!
Como é que vão teus pais
E também os teus irmãos?
- Vão muito bem, Obrigado.
E tio Jacó onde está?
Surgiu prima Conceição
Dizendo-me quê que há?
Enquanto dizia titia:
Jacó não tarde a chegar.
Logo com o pôr do sol
O tio Jacó chegou.
jantamos e conversamos.
Escuro breve ficou
E uma moças a chegarem
De uma em uma começou.
Eram mocinhas que moravam
Naquela povoação
Que vinha pra conversar
Com a prima Conceição,
Contar histórias e brincarem
Naquela escuridão.
Antes de irmos dormir
Tio falava que iria
Desleitar as vacas antes
De amanhecer o dia
E eu entusiasmado
Disse que o ajudaria.
Às quatros da madrugada
meu tio se levantou.
Eu também fui levantando
E ele interrogou:
Sabe mesmo tirar leite?
alguma vez ordenhou?
Mesmo nunca tendo o feito
afirmei não ser balela.
Então ele entregou-me
Um banquinho e uma panela
Dizendo: desleita aqui
Que vou desleitar aquelas.
Fique um pouco surpreso
Pensei, pensei e sentei
No banquinho e a panela
Pus ao chão e comecei
A apalpar o único peito
De um animal que encontrei.
Ficando cansado estava
Daquele peito apertar
E não conseguia sequer
Uma gota só tirar
Quando surgiu uma voz
Fazendo-me logo parar.
Era a tia Chicuta
Que dizia espantada:
Meu filho isto é um touro!
Desse peito não sai nada
De leite e ainda bem
Que não lhe deu uma chifrada.
Atrás vinha tio Jacó
Que deu uma gargalhada.
Mas logo após concentrou-se
E prometeu não dizer nada
E minha tia dizia
Que ficaria calada.
Fomos voltando pra casa
Fingindo ter esquecido
Aquela decepção
Que há pouco tinha sofrido.
Mas com medo que as moças
Soubessem do ocorrido.
O dia amanheceu rápido.
As horas foram passado
E da tarde ao anoitecer
Chegavam de vez em quando
Mocinhas da vizinhança
Por Conceição perguntando.
Usava este pretexto
Para poderem ir olhar
O primo de Conceição
Que tinha vindo passar
As férias em sua casa
Mas breve iria voltar.
E assim em pouco tempo
eu tive a felicidade
De fazer com as mocinhas
Uma grande amizade
E viver muito contente
Bem distante da cidade.
Então, aquelas mocinhas
Convidaram-me um dia
Para irmos tomar banho
Em um açude que existia
Há uma média distância
Da casa da minha tia.
Lembrei que o meu calção
Era tão velho e, fiquei
Com vergonha de vestí-lo.
Alguns minutos hesitei
Porém depois decidi
E ao convite aceitei.
Ao chegarmos ao açude
Todos brincavam contentes:
Mergulhavam e nadavam
Felizes e sorridentes
E eu pra não ficar por fora
Mergulhei rapidamente.
Tão rápido que o elástico
Do meu calção se quebrou.
De muito já desgastado
A pressão não suportou.
E o calção, como em mistério.
Pelas minhas pernas passou.
Fique logo apavorado
Me vendo nu totalmente.
Porque naquele açude
Se encontrava muita gente
E procurando o calção
Mergulhei inutilmente.
Quando vi que não achava
Comecei a imaginar
O que iria eu fazer
Para conseguir voltar
À casa de tia Chicuta
Sem ninguém me avistar.
E olhando para os lados
Pude, então, perceber
Que à beira do açude
Eu poderia me esconder
Numa moita que havia
E ninguém iria me ver.
Vendo que daria certo
Mergulhei muito apressado
E bem debaixo da moita
Eu saí atarantado.
Sentei-me muito encolhido
Olhando pra todo lado.
Completamente despido
Naquela moita esverdeada
Esperava que a noite
Chegasse sem haver nada
Quando senti em minhas nádegas
Dolorosas ferroadas.
Naquele instante senti
Doer-me o corpo inteiro.
Não sabendo o que havia
Levantei muito ligeiro
E vi que havia sentado
Em cima de um formigueiro.
Quase fora dos sentidos
Corri no mato pelado
Devido aos garranchos secos
fiquei todo arranhado
E só não fique perdido
Porque logo fui encontrado.
Juntei assim minhas coisas
Uma hora da madrugada
Viajei com o meu tio
Em uma carroça quebrada.
Naquela noite tristonha
As amiguinhas risonhas
Lembrava-as eu, pela estrada.
Umirim-CE, 1982
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
O JOÃO E A RAIMUNDA
Juvenal Amaro
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
MISTÉRIOS DA PAIXÃO
Juvenal AmaroSEMPRE NO MEU PENSAMENTO
Tu andas pelos lugares
Que costumo frequentar
Sempre a me acompanhar
pelas ruas, pelos bares,
Nos ambientes escolares.
Nos versos de amor que invento,
Nos meus melhores momentos,
Na alegria e na saudade,
Na minha felicidade...
Mas só no meu pensamento.
OMISSÃO
Temos um envolvimento
Que me parece estranho
Pela força e o tamanho
Que traduz o sentimento
Mas nós em nenhum momento
Apesar de tudo isso
Assumimos o compromisso
Que o amor necessita.
Temos uma paixão bonita
Mas somos a ela omissos.
SAUDADE
Encontro-me aqui sozinho
Relembrando os seus carinhos
Nesta noite de luar
E enquanto contemplo a lua
Esta saudade que é sua
Faz meu coração penar.
NÃO CONSIGO DELETAR
Para deletar você
Do meu coração sofrido
Configurei meu pensamento
Atualizei meus sentidos
programei-me diferente
Quase formatei minha mente
Mas nada tem resolvido.
O FULGOR DESTA PAIXÃO
Não consigo traduzir
Oralmente a emoção
Que vive agora a sentir
Por você, meu coração.
Apenas posso expressar
Através do meu olhar
O fulgor desta paixão.
DENTRO DO MEU CORAÇÃO
Esta noite em meu sonho
O teu semblante risonho
Resolveu me visitar
E eu tão feliz fiquei
Que logo que acordei
Saí pra te procurar.
Sem saber aonde ir
Eu comecei a seguir
A minha imaginação
Que me fez acreditar
Que só posso te encontrar
Dentro do meu coração.
CARÊNCIA
Continuo aqui carente
Do seu amor que é tão presente
Dentro do meu coração.
Sempre pensando em você
E sem saber o que fazer
Para ter sua atenção.
NÃO MEREÇO
Continuar vivendo assim
Sem abrigo, eu não mereço.
Guarde um espaço pra mim
Dentro do seu coração
Que eu pago qualquer preço
Pra morar nesse endereço,
Deusa da minha paixão.
PRECISO TE ESQUECER
Inutilizei o chip
Com o qual pra ti ligava.
Joguei fora aquele clipe
Que de você me lembrava.
Já não frequento os lugares
Onde posso te encontrar.
Mas o que fazer com o coração
Que por nenhuma razão
Quer esquecer de te amar.
À PRIMEIRA VISTA
Ao te ver a primeira vez
Meu coração já se fez
Por você tão atraído
Que tive a sensação
Que em outra ocasião
Já havia te conhecido.
NÃO RESISTO
Não resisto aos seus encantos,
Meu coração não te esquece.
Mulher que eu amo tanto
Minha vida permanece
Necessitando da sua
Pelo amor que continua
E cada dia mais cresce.
PERTINHO DE MIM
Na solidão que me invade
Neste dia, nesta tarde,
Só você daria fim
Pois a mim nada agrada
A não ser você amada
Aqui pertinho de mim.
ISTO É AMOR
Este amor surgiu assim:
Trazendo-te para mim
E me levando para ti.
Eu te olhando a sorrir
E tu me simpatizando
Fomos nos aproximando
Por uma atração imensa
Que se tornou tão intensa
A cada dia que passa.
Parece que a vida traça
O caminho a percorrer.
E por assim acontecer
Num mistério encantador,
Acho que isto é amor.
Juvenal Amaro
Umirim, 01/2010


