quarta-feira, 17 de maio de 2017

UM JUMENTO NOSSO EM MARTE


  


                                          

                   Juvenal Amaro

Um marciano que veio
Visitar nosso Planeta
Falou que nunca em Marte
Se escreveu com caneta
E se por acaso errar
Se apaga com o polegar
E não existe tinta preta.

Papel também não existe.
Se escreve no espaço.
Onde você estiver
Basta só erguer o braço
E começar a escrever
Que o outro para ler
Não encontra embaraço.

E quem anda pelas ruas
Precisa ter atenção.
Tem texto em todas as partes
Causando até confusão.
Quem caminha descuidado
Bate a cabeça e zangado
Derruba as letras no chão.

E do dedo indicador
A cor que sai é cristal.
Uma escrita no escuro
Fica sensacional.
E se no claro escrevê-la
Brilha como as estrelas
No espaço sideral.

A escrita é usada
Só para informação
Por que o que é passado
De geração a geração
Fica no ser encucado
Por um chip implantado
Com tudo da educação.

E outra coisa também                                                                   
O marciano mencionou.
É que em missão secreta
Na Terra se hospedou
Pra poder observar
E com calma analisar
Alguns seres que encontrou.

 Um deles, o marciano
Viu aqui pelo nordeste
E achou interessante
Esse animal do agreste
Que ficou o observando,
Vários dias o acompanhando
Como se fizesse um teste.

Percebeu que o jumento
É um ser inteligente.
O homem dizia: aííí!
E o animal prontamente
No local certo parava
E a tarefa realizava
Melhor do que muita gente.

Seguia pelo caminho
Carregando a bagagem
Bem na frente do seu dono
Não errava uma só paragem.
O marciano invisível
Espiando achou incrível.
Continuou a sondagem.

Se encantou ainda mais
Quando viu o jumentinho
Contornando muitas curvas
Que existiam no caminho
Mesmo sem sair do “trilho”
Vencendo todo empecilho
Sem demorar e sozinho.

O seu trabalho, o jumento                                                             
Desempenha sem maldade.
Sem preguiça ele anda
Sertão, praia e cidade.
O que querem ele transporta
Por onde vai não importa,
Nem teme adversidade.
  
Observando um humano
Ficou logo insatisfeito.
A cada dia que passava
Mais encontrava defeito.
Disse: que decepção!
Esta observação
Não vai produzir efeito.

Passando-se alguns dias
Sendo o jegue observado
Resolveram abduzí-lo
Quando estava no cercado.
Numa nave espacial
Carregaram o animal
Pra ser mais analisado.

 Depois de muitos estudos
Envolvendo corpo e mente
Introduziram-lhe um chip
Com comandos referentes
À várias atividades
As quais, na realidade,
Só quem executa é gente.

O jumentinho esperto
Foi muito bem que se saiu
Desempenhando as tarefas
Que o marciano pediu
E assim mostrou progresso
Com segurança e sucesso
Cada etapa concluiu.

Podemos imaginar                                                                              O que vai acontecer
Quando outros jegues assim
Aqui na Terra aparecer.
Será um grande espanto
Com gente em todo canto
Jumento querendo ser.

 Um jumento inteligente
Muito mais do que humano,
Não sendo mais explorado
Com castigo de tirano.
A inveja vai bater
E muita gente, para ser
Um jegue, vai fazer plano.

Quando um mal-educado
Chamar alguém de jumento
Este alguém vai atender
Cheio de contentamento
Dizendo tranquilamente:
Eu sou mesmo inteligente
E tenho conhecimento.

Chamar jegue de meu love
Isso iremos escutar
E fotos no facebook
Vamos poder encontrar.
E como moda pega à toa
Por certo terá pessoa
Querendo até relinchar.

 Tendo o jumento sofrido
Desprezo de muita gente,
Com o desenvolvimento
Abandonado cruelmente,
Agora sendo famoso
Vai surgir ambicioso
Dizendo que é seu parente.

Sei que o termo “my jegue”                                                             
Vai já substituir
O termo em uso “my love”.
Muitos vão admitir
E pela mídia adotado
Dessa forma assim falado
Passaremos a ouvir.

Passeata de jumentos,
Desfile no carnaval,
Seita e religião,
Propaganda eleitoral
E em tudo que dar dinheiro
Ele sendo o primeiro
Será muito natural.

Jegue em cima de gente
Gente por baixo de jegue
Com a fama que vai ter
Haverá quem o carregue.
Puxa-saco é desse jeito
Mesmo que estufe o peito
E lasque tudo mas consegue.

Justamente o jumento
Um animal de valor
Vai viver mais sossegado
E sem mais aquela dor
Natural do seu destino
Ajudando o nordestino
Lutando com destemor.

Umirim, novembro de 2015



sexta-feira, 7 de abril de 2017

NASCIMENTO DE JESUS

                   Juvenal Amaro

Foi enviado à Galiléia
à Nazaré, precisamente,
o bom anjo Gabriel
com ordem do Onipotente 
à casa de uma vírgem
que de Davi é descendente.

Esta vírgem era Maria
pobre dos bens deste mundo
porém rica de virtudes
tinha a Deus amor profundo
e enquanto não trabalhava
orava a todo segundo.

Ligada por esponsais
a José - um homem santo -
sendo carpinteiro e pobre
de descendência, no entanto
também do fiel Davi
a quem respeitavam tanto.

Estava ele a orar
recolhida em seu abrigo
entrou um anjo e disse-lhe
o que trazia consigo:
- "Maria cheia de graça
o Senhor esteja contigo."
 

-"És tu entre as mulheres
bendita, eu te saúdo."
Maria então perturbada
escutando aquilo tudo
não percebia o que estava
acontecendo, contudo.

E o anjo assim disse-lhe:
-"Não temas, Maria, porque
achaste graça diante
de Deus. E eis que há de ter
um filho do qual o nome
Jesus Cristo há de ser.

-"Então, filho do altíssimo
chamado ele será
e o trono de Davi
o Senhor Deus lhe dará.
Será o salvador do Mundo
e fim seu reino não terá."

-"E como isso é possível
(a senhora ponderou)
se prometi a Deus ficar
sempre virgem como estou?"
O anjo rapidamente
respondendo explicou.

-"Virgem, o Espírito Santo
sobre ti breve virá
e a virtude do Altíssimo
com a sombra te cobrirá
e por isso, filho de Deus
Ele chamado será."

Maria disse: - Eis aqui
a escrava do Senhor,
faça-se em mim segundo
tua palavra de amor."
E sem mais nada dizer
o anjo se ausentou

O que sucedera a Virgem
José ainda não sabia.
Mas um anjo do Senhor
em sonhos disse-lhe um dia:
-"José filho de Davi
guarda contigo Maria."

-"Tu esposa pela ação
do espírito divino
é mão do filho de Deus,
será Jesus o menino
que virá modificar
dos pecadores o destino".

Uma lei meses depois
(do augusto imperador)
a cada um dos habitantes
da Judeia ordenou
desse o nome na cidade
de onde se originou.

Era um recenseamento
e por aquela ocasião
tiveram que ir à Belém
José e Maria, então
matricular o seu nome
entre aquela multidão.

Quando em Belém chegaram
grande multidão havia
que não puderam achar
lugar nas hospedarias
e agasalharam-se num pobre
rancho que lá existia.

E ali a meia noite
Jesus Cristo ao mundo veio
e Maria, a virgem mãe
com o coração cheio
de suavíssima alegria
O abraçou contra o seio.

Envolveu logo em mantilhas
o Santo recém-nascido
e O deitou na manjedoura
dos animais adormecidos.
Assim o profetizado
por Miqueias, foi cumprido.

Naquela noite venturosa
naquela mesma cidade
muitos anjos decantaram:
"Glória a Deus (em claridade)
nas alturas e paz na terra
aos homens de boa vontade".

Umirim-CE, 1981





domingo, 5 de fevereiro de 2017

DE RIACHO DA SELA A UMIRIM


(Texto teatral)
Autor: Juvenal Amaro

PERSONAGENS:
Narrador
Padre
Burro
Viajantes
Coronel
Rapaz
Moça
Moradores

CENÁRIO:
Estrada carroçável ou vereda
Riacho
Sela encalhada ou presa em garranchos

NARRADOR:

Lá pelo século XVIII
Saía da capital
Da província Ceará
Um padre em seu animal.

PADRE:

O bispo designou-me
Para cumprir a missão
De sair catequizando
O povo deste sertão.

NARRADOR:

Depois de várias semanas,
Já estava perto daqui
Quando o céu ficou nublado
Uma chuva ia cair.

PADRE:

Burrinho apressa os passos
Que ali vem um temporal
Se não acharmos um abrigo
Passaremos muito mal.

(O burro relincha concordando)

NARRADOR:

O padre segue um pouco
E com o riacho se depara
Sem saber o que fazer
Bem na sua margem pára.

PADRE:

Ah! Tem um riacho cheio!
Mas temos que atravessar
Porque só do outro lado
Vamos um rancho encontrar.

NARRADOR:

Montado o padre no burro
Foi o rio atravessando
Mas a forte correnteza
Foi depressa os carregando.

PADRE:

Valha-me Senhor Jesus!
Preciso de sua mão
Para me tirar daqui.
Quero cumprir minha missão.


NARRADOR:

O padre chegou à margem,
O burro também saiu.
Mas recuperar a sela
O padre não conseguiu.

PADRE:

A água levou a sela
Mas vamos continuar...
Uma maneira de seguirmos
Sei que Deus vai nos mostrar.

(O burro relincha confirmando)

NARRADOR:

Tempos depois, no riacho
Umas pessoas de passagem
Encontraram encalhada
Uma sela em sua margem.

PESSOAS (Viajantes):

- Vixe! Olha uma sela!
- Uma sela é?! Cadê?
- Ôxente! Pois não é mesmo!
- Diveras! Uma sela, êh!

NARRADOR:

Como Riacho da Sela
Foram ficando conhecidos
O riacho e o povoado
Bem perto dali surgido.

NARRADOR:

O coronel dono das terras
A qual herdou de sesmeiro
Controlava a região
Era um grande fazendeiro.

CORONEL:

Nestas terras você faça
Perto do rio sua choupana
Mas tem que trabalhar pra mim
Cinco dias na semana.

NARRADOR:

Tornou-se vila depois.
Cresceu a população.
Mas continuou ainda
A mesma denominação.

RAPAZ:

Diga onde você mora,
Moça delicada e bela!

MOÇA:

Eu moro aqui na Vila,
Vila Riacho da Sela!

NARRADOR:

Depois os donos da terra
Com bastante orgulho e zelo
Resolveram nomeá-la
Vila de Riachuelo.

CORONEL:

Olha, a partir de hoje
Não esquece, não vacila.
Quero que Riachuelo
Seja o nome da Vila.

NARRADOR:

Mas alguns anos depois
Tornou-se distrito, enfim.
Mudando também o nome
Pra Distrito de Umirim.

MORADORES:

Nosso lugar está ficando
Cada dia mais bonito.
Já não é mais uma vila.
Ele agora é distrito!

NARRADOR:

Na década de sessenta
Do último século passado
foi elevada à cidade.
Mas isso foi revogado.

PERSONAGENS (Todos juntos):

Quarenta anos depois
Se emancipou de verdade.
E Umirim continua
Nossa querida cidade!

Umirim-CE, 03 de setembro de 2016.

domingo, 8 de janeiro de 2017

AS DESVENTURAS DE UM ATOLEIMADO





                                          Juvenal Amaro


Ia eu entrar de férias
E comecei a imaginar
Aonde eu poderia
Alguns dias ir passar
Pois eu não tinha dinheiro
Que desse pra viajar.

Aí lembrei de uma tia
Que morava em Caicó
Da qual eu gostava muito.
Era uma irmã de vovó.
O seu nome era Chicuta
E o do tio era Jacó.

Caicó era um sertão
Aonde eu já havia
Há Alguns anos atrás
Passado bastantes dias
E do qual muito gostei
E senti muita alegria.

Um tanto ingênuo, simples
Eram os seus habitantes
Pensavam que eu tina fama
Era rico ou importante.
Enquanto eu, na verdade
Era um simples estudante.

E quando chegou as férias
Fui par lá sem demora.
Depois que desci do ônibus
Segui caminho afora
E andei quatro quilômetros
Com medo de caipora.

Cheguei à casa cansado.
Pus a sacola ao chão.
Falei: - Bênção, tia Chicuta.
- Deus te abençoe, Bastião!
Como é que vão teus pais
E também os teus irmãos?

- Vão muito bem, Obrigado.
E tio Jacó onde está?
Surgiu prima Conceição
Dizendo-me quê que há?
Enquanto dizia titia:
Jacó não tarde a chegar.

Logo com o pôr do sol
O tio Jacó chegou.
jantamos e conversamos.
Escuro breve ficou
E uma moças a chegarem
De uma em uma começou.

Eram mocinhas que moravam
Naquela povoação
Que vinha pra conversar
Com a prima Conceição,
Contar histórias e brincarem
Naquela escuridão.

Antes de irmos dormir
Tio falava que iria
Desleitar as vacas antes
De amanhecer o dia
E eu entusiasmado
Disse que o ajudaria.

Às quatros da madrugada
meu tio se levantou.
Eu também fui levantando
E ele interrogou:
Sabe mesmo tirar leite?
alguma vez ordenhou?

Mesmo nunca tendo o feito
afirmei não ser balela.
Então ele entregou-me
Um banquinho e uma panela
Dizendo: desleita aqui
Que vou desleitar aquelas.

Fique um pouco surpreso
Pensei, pensei e sentei
No banquinho e a panela
Pus ao chão e comecei
A apalpar o único peito
De um animal que encontrei.

Ficando cansado estava
Daquele peito apertar
E não conseguia sequer
Uma gota só tirar
Quando surgiu uma voz
Fazendo-me logo parar.

Era a tia Chicuta
Que  dizia espantada:
Meu filho isto é um touro!
Desse peito não sai nada
De leite e ainda bem
Que não lhe deu uma chifrada.

Atrás vinha tio Jacó
Que deu uma gargalhada.
Mas logo após concentrou-se
E prometeu não dizer nada
E minha tia dizia
Que ficaria calada.

Fomos voltando pra casa
Fingindo ter esquecido
Aquela decepção
Que há pouco tinha sofrido.
Mas com medo que as moças
Soubessem do ocorrido.

O dia amanheceu rápido.
As horas foram passado
E da tarde ao anoitecer
Chegavam de vez em quando
Mocinhas da vizinhança
Por Conceição perguntando.

Usava este pretexto
Para poderem ir olhar
O primo de Conceição
Que tinha vindo passar
As férias em sua casa
Mas breve iria voltar.

E assim em pouco tempo
eu tive a felicidade
De fazer com as mocinhas
Uma grande amizade
E viver muito contente
Bem distante da cidade.

Então, aquelas mocinhas
Convidaram-me um dia
Para irmos tomar banho
Em um açude que existia
Há uma média distância
Da casa da minha tia.

Lembrei que o meu calção
Era tão velho e, fiquei
Com vergonha de vestí-lo.
Alguns minutos hesitei
Porém depois decidi
E ao convite aceitei.

Ao chegarmos ao açude
Todos brincavam contentes:
Mergulhavam e nadavam
Felizes e sorridentes
E eu pra não ficar por fora
Mergulhei rapidamente.

Tão rápido que o elástico
Do meu calção se quebrou.
De muito já desgastado
A pressão não suportou.
E o calção, como em mistério.
Pelas minhas pernas passou.

Fique logo apavorado
Me vendo nu totalmente.
Porque naquele açude
Se encontrava muita gente
E procurando o calção
Mergulhei inutilmente.

Quando vi que não achava
Comecei a imaginar
O que iria eu fazer
Para conseguir voltar
À casa de tia Chicuta
Sem ninguém me avistar.

E olhando para os lados
Pude, então, perceber
Que à beira do açude
Eu poderia me esconder
Numa moita que havia
E ninguém iria me ver.

Vendo que daria certo
Mergulhei muito apressado
E bem debaixo da moita
Eu saí atarantado.
Sentei-me muito encolhido
Olhando pra todo lado.

Completamente despido
Naquela moita esverdeada
Esperava que a noite
Chegasse sem haver nada
Quando senti em minhas nádegas
Dolorosas ferroadas.

Naquele instante senti
Doer-me o corpo inteiro.
Não sabendo o que havia
Levantei muito ligeiro
E vi que havia sentado
Em cima de um formigueiro.

Quase fora dos sentidos
Corri no mato pelado
Devido aos garranchos secos
fiquei todo arranhado
E só não fique perdido
Porque logo fui encontrado.

Juntei assim minhas coisas
Uma hora da madrugada
Viajei com o meu tio
Em uma carroça quebrada.
Naquela noite tristonha
As amiguinhas risonhas
Lembrava-as eu, pela estrada.

                 Umirim-CE, 1982




quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O JOÃO E A RAIMUNDA



                        Juvenal Amaro



Ó meu Deus onipotente
que me dá inspiração
quero através da escrita
tirar do meu coração
estas palavras que falam
da Raimunda e do João.

Eu não seria este ser
Com este meu coração
Se não tivesse nascido
Destas pessoas que são
Os meus mestres nesta vida:
A Raimunda e o João.

São sinônimos de trabalho
De amor e dedicação
Norte para minha vida
Com grande orientação
Quem seria eu se não fosse
A Raimunda e o João.

A parte mais importante
Da verdadeira formação
Que todo ser necessita
Para ser um cidadão
Eu recebi dos meus sábios:
A Raimunda e o João.

Na vida se aprende tudo...
O mundo passa a lição
Existem o bem e o mal
À nossa disposição
Mas o melhor de mim, veio
Da Raimunda e do João.

Ambus têm a consciência
De cumprida a missão
Que Deus lhes deu nesta vida
E em qualquer ocasião
só procuraram ser justos
A Raimunda e o João.

Bem do íntimo do meu peito
A Deus peço proteção
para este dois que caminham
Agora com lentidão
mas com muito entusiasmo:
A Raimunda e o João.

Criaram todos os filhos
Com a mesma disposição
Muito amor, muito carinho
prezando a educação
Para seguirem pela vida
A Raimunda e o João.

Sempre estão trabalhando
Que seja inverno ou verão
O trabalho para eles
É como uma diversão.
É um costume antigo
Da Raimunda e do João.

A bela cor dos cabelos
Revela a consagração
De toda uma vida digna
De amor e devoção
Com humanidade e fé
A Raimunda e o João.

Aconselhando os filhos
A viverem em união
Com fé e honestidade
Respeito e compreensão
Foram os ensinamentos
Da Raimunda e do João.

Quando Altalene nasceu
Foi grande a emoção
Tempos depois a Francisca
E a mesma satisfação
tomaram conta dos pais:
A Raimunda e o João.

Foi vindo a Liduina
E o Juvenal então
A Mariana também veio
E o Francisco, outro irmão
Foi aumentando a família
Da Raimunda e do João.

Chegaram: a Juscilene
Dando continuação
O Apolônio e a Socorro
E o décimo desta união
A caçula, Leonor
Da Raimunda e do João.

E prosseguiram a lida
Com a mesma abnegação
Pra darem melhores dias
Esta nova geração
E assim fazem até hoje
A Raimunda e o João.

Uma vida de trabalho
E muita satisfação
Tudo com a graça de Deus
E com a Sua permissão
Vão seguindo suas vidas
A Raimunda e o João.

Alguns anos depois veio
A filha de criação
Nasce a neta Francislene
Que naquela ocasião
Foi morar com os avós
A Raimunda e o João.

Se há amor, os problemas
Sempre têm uma solução
E para o que não tem jeito
Deus dá a conformação
Foi assim que sempre agiram
A Raimunda e o João.

Gostam das coisa certas
Pra não perderem a razão
E para todos os filhos
Têm uma boa explicação
Sempre procederam assim
A Raimunda e o João.

Há mistérios neste mundo
Dos quais não temos noção
Mas por tudo nesta vida
Nossa imensa gratidão
A Deus que nos acompanha
Com a Raimunda e o João.

Se realmente o espírito
Volta em outra encarnação
Eu espero aqui estar
Junto com os meus irmãos
E ser filho novamente
Da Raimunda e do João.

João encontrou Raimunda
Uma grande união
Vitalícia e profunda
Encanto, paz e emoção.
Nas coisas de Deus existe
Algo forte que resiste
Languidez e provação.

Umirim, outubro de 2013

segunda-feira, 26 de outubro de 2015



ALGUNS  VERSOS

                        Juvenal Amaro


LUA DO MEU OCEANO

Da mesma forma que a lua
Flutua no universo
Encantando a imensidão
Você flutua e faz sucesso
No oceano de amor
Que existe em meu coração.


A FORÇA DO AMOR

Quando o amor bate no peito
Não há virtude ou defeito
Que consiga evitar.
Não há pretexto ou razão
Que domine o coração
Quando ele começa a amar.


NÃO QUERO ME VACINAR

Eu nunca fui vacinado
Nem quero me vacinar.
Para mim pode negar,
Que souber onde encontrar
Uma vacinar eficiente
Que faça com que a gente
Deixe de se apaixonar.


FRASES DE AMOR

Aquelas frases de amor
Que por você eram ditas
Declaradas e escritas
Com toda dedicação
Faziam a felicidade
Morar em meu coração.
Mas hoje quem nele habita
É somente a solidão.



SÓ SAUDADE

Tudo passou, que tristeza!
Já não existe a beleza
Do encanto da mocidade.
Nem sequer a simpatia
Faz parte dos nossos dias.
Tudo acabou! Que saudade!

MAIS UM ERRO

Agora posso sentir
Que me apaixonar por ti
Foi uma grande ilusão
E mais um erro assim sofrido
Como os vários cometidos
Por este meu coração.

AMARGA SOLIDÃO

Como um pobre passarinho
Que é estranho em seu ninho
É necessário voar
Seguir por outros caminhos
Tentar encontrar sozinho
Abrigo em outro lugar.
Mas como a dor traz cansaço
Para cruzar o espaço
Já não há disposição.
Assim mesmo eu disfarço
Fingindo não estar nos braços
Da mais cruel solidão.

APESAR DA SOLIDÃO

Apesar da solidão
Em que o meu coração
Tem vivido sempre imerso
Ele ainda encontra um jeito
De bater forte no peito
E escrever alguns versos.

NUNCA MAIS

Talvez minha alma não deva
Sofrer por ti tanto assim
E eu nunca mais escreva
Sobre o amor que existe em mim
Nunca mais chame teu nome
Nunca mais te telefone
Mas a dor que me consome
Talvez jamais tenha fim.

MISTÉRIO DA PAIXÃO

Ainda sinto como antes
Seu olhar de sedução
Nos meus dias, nos meus sonhos
Na minha imaginação
Penetrando no meu ser
Dominando o coração
E me envolvendo no mistério
De uma grande paixão.

O FIM

É uma pena que não deu
Para esse amor continuar:
Nadou, nadou, mas morreu
Bem na areia do mar.
Sem o socorro adequado
O coração maltratado
Não conseguiu suportar.

MISTÉRIO

Que mistério envolveu
No mundo você e eu?
Gostaria de saber!
Se somos tão diferentes
Por que será que a gente
Pode esse amor viver?

COISAS DO CORAÇÃO

Vivo pedindo um tempo
A este meu coração.
Para não se envolver tanto
Com essas coisas de paixão.
Mas não sei porque razão
Ele nunca me atende.
Parece que não entende
Minha solicitação.

MENSAGEM

A tua mensagem
No meu celular
Dizendo me amar
Encheu de coragem
O meu coração.
Mas era bobagem,
Pura ilusão!
Que fantasia!
Você só queria
Chamar-me atenção.

ÚLTIMA FORMA DE AMAR

Quando a última estrela
Do meu céu não mais brilhar
E a rosa que existe
Neste meu jardim murchar
Fazendo que não se sinta
Mais deste peito o pulsar
Findando este ser tristonho
Com seus ideais e sonhos
Então estará extinta
Mais uma forma de amar.

SINTO

Na alma eu sinto o pranto
Na matéria, o desencanto
No coração, uma dor
No passado uma saudade
Na vida, a felicidade
No sofrimento, o amor.

Juvenal Amaro

Umirim-Ce. 2006

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

MISTÉRIOS DA PAIXÃO

                                           Juvenal Amaro


SEMPRE NO MEU PENSAMENTO


Tu andas pelos lugares
Que costumo frequentar
Sempre a me acompanhar
pelas ruas, pelos bares,
Nos ambientes escolares.
Nos versos de amor que invento,
Nos meus melhores momentos,
Na alegria e na saudade,
Na minha felicidade...
Mas só no meu pensamento.


OMISSÃO


Temos um envolvimento
Que me parece estranho
Pela força e o tamanho
Que traduz o sentimento
Mas nós em nenhum momento
Apesar de tudo isso
Assumimos o compromisso
Que o amor necessita.
Temos uma paixão bonita
Mas somos a ela omissos.


SAUDADE


Encontro-me aqui sozinho
Relembrando os seus carinhos
Nesta noite de luar
E enquanto contemplo a lua
Esta saudade que é sua
Faz meu coração penar.


NÃO CONSIGO DELETAR


Para deletar você
Do meu coração sofrido
Configurei meu pensamento
Atualizei meus sentidos
programei-me diferente
Quase formatei minha mente
Mas nada tem resolvido.


O FULGOR DESTA PAIXÃO


Não consigo traduzir
Oralmente a emoção
Que vive agora a sentir
Por você, meu coração.
Apenas posso expressar
Através do meu olhar
O fulgor desta paixão.


DENTRO DO MEU CORAÇÃO


Esta noite em meu sonho
O teu semblante risonho
Resolveu me visitar
E  eu tão feliz fiquei
Que logo que acordei
Saí pra te procurar.
Sem saber aonde ir
Eu comecei a seguir
A minha imaginação
Que me fez acreditar
Que só posso te encontrar
Dentro do meu coração.


CARÊNCIA


Continuo aqui carente
Do  seu amor que é tão presente
Dentro do meu coração.
Sempre pensando em você
E sem saber o que fazer
Para ter sua atenção.


NÃO MEREÇO


Continuar vivendo assim
Sem abrigo, eu não mereço.
Guarde um espaço pra mim
Dentro do seu coração
Que eu pago qualquer preço
Pra morar nesse endereço,
Deusa da minha paixão.


PRECISO TE ESQUECER


Inutilizei o chip
Com o qual pra ti ligava.
Joguei fora aquele clipe
Que de você me lembrava.
Já não frequento os lugares
Onde posso te encontrar.
Mas o que fazer com o coração
Que  por nenhuma razão
Quer esquecer de te amar.


À PRIMEIRA VISTA


Ao te ver a primeira vez
Meu coração já se fez
Por você tão atraído
Que tive a sensação
Que em outra ocasião
Já havia te conhecido.


NÃO RESISTO


Não resisto aos seus encantos,
Meu coração não te esquece.
Mulher que eu amo tanto
Minha vida permanece
Necessitando da sua
Pelo amor que continua
E cada dia mais cresce.


PERTINHO DE MIM


Na solidão que me invade
Neste dia, nesta tarde,
Só você daria fim
Pois a mim nada agrada
A não ser você amada
Aqui pertinho de mim.


ISTO É AMOR


Este amor surgiu assim:
Trazendo-te para mim
E me levando para ti.
Eu te olhando a sorrir
E tu me simpatizando
Fomos nos aproximando
Por uma atração imensa
Que se tornou tão intensa
A cada dia que passa.
Parece que a vida traça
O caminho a percorrer.
E por assim acontecer
Num mistério encantador,
Acho que isto é amor.


Juvenal Amaro
             Umirim, 01/2010